Uma cena banal no Rio de hoje
Arthur da Távola
Quem viveu na Rocinha, na década de 70, talvez se lembre: dona Cacilda tinha um juramento: fazer o seu moleque doutor. Lutou, brigou, pediu, bateu, fez biscate. Mãe solteira decente, mas decidida, chegou a vender o corpo quando mais moça, chorou, gemeu, economizou, apanhou, de gigolô, costurou, mas o menino fez o primário, uniforme pobre.
Porém limpo.
Trabalhou em casa de família, costurou, lavou extra, fez doce, invadiu o terreno baldio e tirou o moleque de lá aos tapas para estudar, pediu ao patrão, cavou a bolsa, falou com o deputado, com o pastor da igreja, o padre, fez bolo pra batizado, passou roupa nas folgas, dormiu sentada vigiando-lhe o estudo, levou vaia da rapaziada, enfrentou duas namoradinhas, mas ele tirou o ginásio. Perto dos 40 anos, ela encontrou um companheiro pedreiro, decente, crente de igreja. Não saiu da Rocinha.
Ele foi pra lá. Participava da igreja, ajudou na economia, botou dim dim na caderneta, costurou pra fora, fez doce, inventou comidinha e vendia pra birosca. Deu plantão na porta de festa pro filho não vir dormir tarde. Deixou que rissem dela, que gozassem o rapaz, filhinho da mamãe. Rejeitou sair da Rocinha, o pedreiro tivera a chance de morar em Queimados numa casa boa, mas era longe e tinha o custo da passagem. Não dormia se o moleque não chegasse, deu-lhe tabefe já rapaz quando malandreava, mas ele fez o segundo grau completo.
Não passou no vestibular. Ela compreendeu e de novo não dormiu. Arranjou professor particular, costurou e cozinhou mais, roupa para si já não comprava, só consertava as velhas, ficou avarenta, zura, pão-duro, sovina, mas ele teve o professor e no outro ano passou no vestibular. Ficou seca, envelheceu rápido. Magrinha, agitada. Sua vida era trabalhar e esperar pelo filho, lutar e brigar por ele e com ele. Ao marido nem ligava, sexo, Ihh! Já tinha um tempão! Isso era bobagem de gente moça. As roupas sobravam, mais economia, pouca conversa raro riso muito siso, alguns pesadelos estranhos. Os dentes caindo. Cada vez menos dormia. Falta de apetite, casca de pão dormido com café amargo. A poupança para o anel de doutor, a roupa da formatura, o dia da formatura.
Num tiroteio entre quadrilha do Borel, onde o filho fora levar a noiva, a bala perdida matou um inocente: ele.
Estraçalhou-lhe o cérebro. Era noite de luar. Justamente a noite escolhida pela mãe para lhe entregar o anel de doutor, quando ele chegasse em casa.
Publicada em 28 de julho de 2007
Precisamos evitar que mais casos como esse aconteçam no nosso estado. Manifesto integral, por uma sociedade menos violenta.
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Porque é assim que é…
Apesar dos esforços internacionais para reduzir a pobreza, a fome cresce no mundo, depois de ter diminuído durante a segunda metade da década de 90. Cerca de 850 milhões de pessoas passam fome a maioria delas na áfrica e na ásia. O número de desnutridos nos países em desenvolvimento cresce à razão de quase 5 milhões de pessoas por ano. Os dados são do relatório anual da FAO, a agência das Nações Unidas voltada para a agricultura e a alimentação, que está sendo divulgado hoje. O relatório, “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo”, apresenta um quadro desolador.
Há, no entanto, algumas boas notícias no relatório: 19 países conseguiram reduzir o número de famintos desde 1990-1992. Um total de 80 milhões de pessoas saiu da faixa dos desnutridos nesses países entre os quais o Brasil. “Essa lista inclui” diz o relatório “países grandes e relativamente prósperos, como o Brasil e a China, onde o nível de subnutrição já era moderado, e também países menores, onde a fome era maior, como o Chade, a Namíbia, Sri Lanka e a Guiné”. Bangladesh, Haiti e Moçambique estão entre os 22 países que conseguiram “reverter a maré de fome” na segunda metade dos anos 90.
O relatório cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato, daqui a pouco mais de três anos. Apesar disso, o levantamento da FAO indica um retrocesso na luta contra a fome nos cálculos mais recentes – feitos entre 1999 e 2000 -, o que torna cada vez mais remoto o objetivo da ONU de reduzir pela metade o número de desnutridos no mundo até 2015, diz o diretor-geral adjunto da FAO, Hartwig de Haen. “é preciso acelerar as reduções anuais a 26 milhões, mais de 12 vezes a taxa de 2,1 milhões alcançada durante os anos 90″, explicou.
A FAO afirmou que “é hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança”. “Para sermos claros, o problema não é tanto da falta de alimentos, mas de falta de vontade política”, considerou a agência. Segundo a FAO, salvo quando a guerra e os desastres naturais atingem os países em desenvolvimento, “se fala pouco e se faz menos ainda” para aliviar o sofrimento de 798 milhões de pessoas que padecem de fome crônica nesses países. Esta cifra é superior à toda população da América Latina e da áfrica, informou a FAO. A esses números ainda se somam 11 milhões de famintos nos países desenvolvidos e 34 milhões nas nações em desenvolvimento.
A reunião sobre a fome realizada pela ONU em 1996 adotou a meta de reduzir o número de desnutridos pela metade até 2015. A reunião do Milênio, em setembro de 2000, colocou este objetivo no topo das prioridades globais. O número de famintos, que caiu 37 milhões na primeira metade dos anos 90, aumentou mais de 18 milhões, à razão de 4,5 milhões por ano, entre 1995 e 2001, no mundo em desenvolvimento. (AP)
A igreja Brasileira, sua ambiguidade, e o desafio de fazer Missão integral.
Antes de tratarmos dos aspectos da missão e do desafio em proclamar as boas novas de Cristo neste país, torna-se indispensável que façamos uma responsável leitura da real situação da sociedade brasileira:
1) Uma sociedade hedonista, egoísta e “umbigua.” Onde o que importa no final das contas é levar vantagem sobre o outro.
2) Uma sociedade adoecida e em estado de mestátase em suas estruturas publicas e privadas.
3) Uma sociedade onde os fins justificam os meios.
4) Uma sociedade acostumada à barbárie.
5) Uma sociedade que relativizou o absoluto. Isto se percebe claramente na:
· Na deteriorização das estruturas familiares.
· Na quebra dos elos relacionais.
· Na quebra de conceitos e paradigmas relacionados à sexualidade.
· Nas relações de namoro entre os jovens e adolescentes.
Esta semana escrevi um artigo muito interessante sobre o comportamento dos jovens nas relações interpessoais neste inicio de século XXI. No em questão eu faço uma análise das ficações e pegações tão comuns há este tempo. http://renatovargens.blogspot.com/2007/08/da-ficao-pegao-uma-anlise-sincera-do.html
“Por volta dos anos oitenta, um novo tipo de comportamento tomou conta dos jovens e adolescentes brasileiros. Em nome da liberdade e do amor, moças e rapazes começaram a desenvolver em seus relacionamentos vínculos afetivos descompromissados onde o chique era “ficar” com alguém. Na verdade, “ficar” com alguma pessoa se caracterizava pela ausência de compromisso, de limites e regras claramente estabelecidos. Para os “ficantes” O tempo da “ficada” variava de uma única noite a até mesmo algumas semanas ou meses. Hoje, um novo tipo de comportamento tem marcado nossos jovens e adolescentes, a “pegação”. Na pegação o que vale é “pegar” várias pessoas na mesma noite, sem que contudo isto implique em “ficar” com uma pessoa somente. Ultimamente esse procedimento tem sido encarado com a maior naturalidade pelos jovens das grandes cidades. Há pouco ouvi um documentário na Band News, onde alguns adolescentes testemunhavam efusivamente sobre a grande quantidade de beijos na boca dados e recebidos numa badalada festa. Aliás, diga-se de passagem, o número de festas onde centenas de pessoas se reúnem com o propósito único e exclusivo de Beijar, tem se multiplicado assustadoramente em todo território nacional. Para estes é a quantidade de beijos na boca que indica se a balada foi boa ou não. Acredito firmemente que esta geração esteja sofrendo daquilo que denomino de “síndrome de “beija Flor”, cujo objetivo é voar de “flor em flor” em busca do maravilhoso néctar do beijo.”
6) Uma sociedade sincrética, mística, religiosa e escancaradamente aberta ao “sagrado”.
7) Uma sociedade carente de super-heróis.
8) Uma sociedade despolitizada, burrificada e alheia às dores e misérias de seu povo.
Nesta terra tupiniquim chamada Brasil, onde os escândalos se multiplicam com uma facilidade enorme, assusta-me o fato de aparentemente temos quase 30 milhões de crentes em nossos arraiais. No entanto, o fato de sermos tantos, não tem mudado muito o contexto social, econômico e político deste país. Antes pelo contrário, as coisas por aqui vão de mal a pior. Um exemplo claro disso é a cidade de São Gonçalo que possui a maior concentração de igrejas evangélicas por metro quadrado do Brasil, no entanto, é uma cidade cheia de ambigüidades.
O Jornal O Fluminense em 27/06/2005 publicou uma matéria afirmando que “São Gonçalo, município do Grande Rio, possui 106,9 mil cidadãos em situação de miséria, de acordo com dados do IBGE. São pessoas que chegam a ganhar menos de um quarto de salário mínimo por mês. O número de indigentes no município, bem como os que vivem abaixo da linha da pobreza segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas são de 130 mil pessoas, as quais só fazem duas refeições completas por semana.
Alguma coisa está errada? Que evangelho é esse que temos pregado que não tem mexido nas estruturas sociais de nossos municípios? Que evangelho é esse que temos anunciado que não tem produzido reforma de caráter em seus seguidores?
Acredito que um dos principais problemas é que temos pregado o evangelho dos evangélicos e não o evangelho dos evangelhos. Na verdade, os evangélicos desta nação conseguiram de forma esdruxula promover a adaptção do evangelho de Cristo para o evangelho à brasileira, senão vejamos:
1) O evangelho onde tudo é gospel. É aquilo que Tenho denominado da “gospelização do reino”
2) O evangelho “apostólico”
3) A hieraquirzação do Reino
4) O evangelho de “personal profects.”
5) O evangelho Humanista.
6) O evangelho que promove entretenimento a bodes.
7) A venda moderna das indulgências, o toma-la-da-cá gospel.
8) O Evangelho do mapeamento, do neo-maniqueismo, do dualismo e da batalha espiritual.
9) O evangelho dos modismos e unções escalafobéticas.
10) O evangelho das migalhas, do assistencialismo e da perpetuação da pobreza.
11) O evangelho da prosperidade e do triunfalismo.
12) O evangelho da lâmpada mágica e do pirlimpimpim.
13) O evangelho desprovido de ética, moral e decência.
14) O Evangelho que aceita tanto como o pecador como o pecado.
15) O evangelho que relativiza a fé, Cristo e Palavra de Deus.
Se quisermos obter êxito em nossa missão, torna-se indispensável que obsvermemos os seguintes pressuspostos:
1) Fazer da Palavra de Deus nossa única regra de fé. Sola Escriptura.
2) Fazer com que as nossas vidas estejam focadas em glorificar a Deus, Soli Deo Gloria.
3) A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora. Sola Gratia.
4) Anunciar intrepidamente e de forma inteligente e contextualizada CRISTO, como único e suficiente salvador. Solus Christus.
5) Pregar o evangelho Integral ao homem todo, de todos os povos, de todas as tribos, línguas, raças e nações.
É importante que jamais esqueçamos que Jesus veio para salvar os pecadores. Cabe à Igreja fazer chegar essa salvação, hoje, aos perdidos. A igreja deve ser uma igreja do caminho e não do balcão. Ela não pode permanecer como espectadora da história: tem de descer para onde se travam as lutas reais dos homens.
A injustiça social, verdadeira afronta a imagem e semelhança de Deus, tem sacudido nosso país e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse com isso. Ora, o
s cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto a fim de fazer a diferença no mundo. na verdade, a igreja necessita deixar o monte da transfiguração e descer até ao povo sofrido onde se encontram os excluídos da sociedade. É preciso sim que a Igreja seja a consciência da sociedade e a voz profética que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. A missão integral da Igreja é basicamente evangelização e ação social. Dizemos “basicamente” porque a missão integral da Igreja é na verdade universal. Abrange vários aspectos. Evangelizar é a sua qualidade primordial. A Igreja que troca a evangelização por qualquer outra responsabilidade social está fora de propósito e, portanto, descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. Por outro lado, que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelização. Concordamos que uma igreja possa fazer uma opção temporária entre evangelizar e assistir ao necessitado, mas nunca uma opção permanente. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Soli Deo Gloria,